4 de fevereiro de 2024

Opinião Literária - Heartstopper, de Alice Oseman



Boas Maltinha,


Espero que estejam bem!


Hoje venho falar sobre a série Heartstopper, que já li até ao volume 5.
É uma história encantadora sobre vários jovens dos dias de hoje que tentam compreender e viver com a sua identidade de género e orientação sexual, que na sua maioria desafia o que até hoje era considerado normal.

A história tem como protagonistas o Charlie e o Nick, mas todas as outras personagens estão lá por um motivo e para nos mostrarem de forma bastante prática todas as opções que existem. 


É ainda muito difícil viver com as escolhas feitas quando as mesmas não condizem com as maiorias. É também difícil chegar às conclusões daquilo que queremos quando a informação não é disponibilizada e quando todos à nossa volta bloqueiam qualquer conversa, terminando-a com um "não digas baboseiras" ou algo similar.

Estes livros conseguem mostrar e explicar toda uma panóplia de sentimentos, emoções e escolhas que cada um de nós pode viver. É uma coleção transversal, que transmite conhecimento e que pode expandir mentalidades.

E vocês, o que têm a dizer desta coleção?

21 de janeiro de 2024

Opinião Literária - Pão de Açucar, de Afonso Reis Cabral

 

2024 começou com um livro de um autor de Língua Portuguesa, Afonso Reis Cabral.

Começou também com uma história verídica, coisa que é raro eu ler. Desde o momento que uma história é baseada em factos verídicos eu já não a consigo apreciar da mesma forma. São vários os motivos, mas o principal é que eu visualizo tudo o que estou a ler como se estivesse a acontecer em tempo real à minha frente e as emoções começam a sufocar-me. 

Este livro traz de volta um acontecimento de 2006, que ocorreu na cidade Invicta e que chocou a maioria das pessoas. Nessa altura eu era "apenas" uma adolescente de 14 anos e não tinha qualquer interesse em notícias, nem sequer as via. Hoje, depois de ler este livro e de calcular a idade que tinha, chego à conclusão que tenho a mesma faixa etária e que não podia estar em tão distante realidade.

É uma história contada na voz de uma criança de 12 anos e esta criança tem um papel intenso e desorganizado, provavelmente desenvolvido pela ausência dos pais, tendo sido deixada numa instituição chamada Oficina, onde a criação ou educação são menosprezados e insuficientes. 

Considero que o desfecho desta história se deve à falta desse acompanhamento e consequente ausência de amor paternal e uma decisão estúpida de um miúdo que queria mostrar-se como alguém forte e superior.

Também a vida da Gi foi retratada e dá para entender que foi uma vida sofrida, sem quaisquer facilidades. Jamais eu conseguiria encontrar felicidade naquilo que ela considerou vida.

Ambas as personagens sentiam falta de atenção, eram submissos e tinham uma necessidade de afirmação.


Gostar deste livro não me soa bem. Não gosto da história pelo que ela retrata, não há como gostar, choca-me ainda mais que seja escrito pela "mão da criança" e isso é demonstrado na qualidade da escrita, que torna visível a criança por detrás das páginas.

Mas não posso deixar de o considerar um bom livro. É visual, sem ultrapassar todas as sensibilidades. Diz muito sem ter tudo detalhado.


É doloroso.

É real e, ao mesmo tempo, assustador.


Mais alguém que tenha lido este livro? Deixem nos comentários a vossa opinião.

14 de janeiro de 2024

Opinião Literária - A Louca da Casa, de Rosa Montero



Olá Maltinha, espero que estejam bem e que 2024 vos tenha proporcionado uns bons primeiros dias e que se prolonguem até 31 de dezembro...

Hoje trago-vos o último livro que li no ano passado e foi uma das melhores maneiras de acabar em grande, com mais um livro no coração.

Sabem há quanto tempo eu tinha este livro na minha estante? Desde agosto de 2021 e já o tinha destinado inconscientemente aos livros que provavelmente nunca iria ler.


Quase perdia um dos "aquele livro". 


Desde que comecei a escrever que tenho aumentado o meu conhecimento sobre esta arte maravilhosa e tenho-me deparado com histórias fenomenais sobre outros escritores.

E este livro enquadra-se nesta faceta, ele é sobre escrita e sobre o oficio da escrita contado na primeira pessoa, o que acaba por fazer dele também uma autobiografia.

Tanta coisa inexplicavelmente em comum que partilho com a Rosa e não fazia ideia. Realmente existe uma louca na casa e essa louca, não só dá cabo da minha cabeça, como também da cabeça da Rosa.

Este livro não deixa de ser o que é: um excelente livro, mas, ao mesmo tempo, sinto que foi uma conversa, onde a autora me confidenciou tanto sobre si como numa conversa entre velhas amigas que partilham os mesmos gostos.

Acabo a dizer que adorei esta conversa e que espero continuá-la em breve.


Até breve e boas leituras!

17 de setembro de 2023

Opinião Literária - A Rapariga da Cabana, de Romy Hausmann



Boas Maltinha,


Há capas que nos chamam à atenção e esta foi uma delas. Aquela casinha de paus um tanto sinistra, um tanto apelativa chamou-me logo na primeira vez que a vi. 

O que há de fazer o leitor quando um livro o chama assim?

Aquilo que sabe fazer melhor: vai pegar nele e vai lê-lo. De preferência com mais amigos literários. Foi o que eu fiz! 


Não só lemos o livro, como decidimos ainda ver a mini série que estreou na Netflix este mês.


Desde o inicio do livro que fiquei vidrada na personagem Hannah. Uma criança, no mínimo, intrigante. Ficamos a pensar: o que raio vem dali? É uma personagem que nos deixa na dúvida, sobre o seu envolvimento, o tempo todo.

Tudo neste livro é perturbador. Não há uma personagem saudável ou um acontecimento regular. 

Ainda me pergunto como é que a autora conseguiu criar esta atmosfera. Como é que conseguiu imaginar uma coisa tão hedionda e ainda por cima transformá-la (para as personagens) numa coisa banal como uma família feliz numa cabana.

Adorei o livro e adorei a série.


Falando agora um pouco sobre a produção televisiva. 

Fiquei um pouco confusa pois alguns dos personagens não são os mesmos do livro, apesar de terem o mesmo nome, não têm o mesmo género. Em alguns casos, as suas batalhas individuais não são as mesmas e os motivos também estão alterados.

Eu sei, eu sei, uma série é apenas "baseada" no livro. Ainda assim, no meu ponto de vista, a história e os pontos principais devem ser os mesmos. 

Neste caso, com nomes diferentes, podiam ser duas histórias distintas.

No entanto, isso não invalidou a minha satisfação de visionamento.


E vocês, o que têm a dizer sobre A Rapariga da Cabana?


Beijos


2 de setembro de 2023

Opinião Literária - Novas Crónica da Boca do Inferno, de Ricardo Araújo Pereira

 

Olá, Maltinha, 

Espero que se encontrem bem e preparados para mais uma opinião =)

Desta vez trago-vos aquilo a que chamo uma "Leitura a Caracol", uma leitura que me acompanha, pelo menos, durante um ano. Não porque não goste dela, mas porque gosto de a fazer render. 

Os livros do Ricardo são ótimos para esta brincadeira, as suas Crónicas são agradáveis facadas na nossa vida que nos relembram o quão miseráveis somos, tanto para o nosso País como para o Mundo em geral. 

O escrutínio pela morte tem destas coisas, dá-nos a certeza de que não somos ninguém e que, quando morrermos, o mundo vai continuar a existir. Sem qualquer problema, remorso ou saudade.


Entre o dia em que nascemos e morremos resta-nos uma coisa: viver, ou no caso da grande classe trabalhadora daquela altura (2008) e desta altura (2023) sobreviver. 

Este livro mostra-nos que, apesar do tempo que passou, ainda não aprendemos, voltámos a repetir os mesmos erros. As únicas coisas que mudaram foram: o nome da Pandemia e o nome dos Intrujas.


Outra coisa que não mudou foi o fanatismo por remodelações em tempos difíceis, se na altura o Ricardo sentiu necessidade de escrever uma Crónica sobre os móveis IKEA, neste período de pandemia, abundámos em vídeos sobre como fazer o quê para melhorar a casa e mantermo-nos ocupados.