30 de julho de 2025

Microconto - Aconchegado a mim


Acordo estremunhada. Debaixo dos lençóis, encostado a mim, sinto algo felpudo e quente. Afago-o. E sinto o meu gato a aconchegar-se contra o meu corpo numa tentativa de eliminar o abraço frio das últimas noites. Apalpo, insistente, o espaço em meu redor à procura do telemóvel, preciso de saber de quantas horas ainda disponho para dormir até à alvorada.

Em tempo real, exposta no ecrã desbloqueado está uma imagem que nunca esquecerei: o Nico deitado, na sua manta favorita, enroscado e com o focinho de frente para a câmara de vigilância.

Saberei eu o que tenho encostado a mim?

15 de julho de 2025

Opinião Literária - A Mata que Mata, de Lourenço Seruya

 
Boas Maltinha,
Mais uma entrada, mais um livrinho!

Hoje trago um autor português e o inicio de uma série, a do Bruno Saraiva. 
Como muitas vezes me acontece, começo as séries pelo livro que me chama a atenção e só quando o estou a ler é que percebo que o mesmo está inserido numa história maior e com muito mais para descobrir do que "apenas" aquilo que me atraiu (sim, eu sou daquelas pessoas que pega num livro, o traz para casa e começa a ler sem ver se existe um background. O elemento surpresa sempre me cativou). Esta série, comecei-a pelo terceiro volume, "Crime na Quinta das Lágrimas", e ainda não o tinha terminado e já sabia que tinha de ler os anteriores e os possíveis vindouros. 

Nos dois volumes que li, os crimes ocorrem à "porta fechada", onde o assassino se encontra no seio do grupo. Está exatamente no mesmo local onde tudo acontece e tem livre acesso a tudo o que se passa. Se por um lado é genial, por outro é frustrante, deixando ainda mais presente a necessidade de não confiar em ninguém. 

Apesar do leitor saber onde o assassino está, passa tooooda uma leitura a perguntar-se porque raio ainda não descobriu quem é e, se eventualmente desconfiar de alguém, vai sempre achar que é demasiado óbvio e tenta "ver" melhor todas as hipóteses. Não sei se todos olhamos da mesma forma, mas este leitor sou eu. Aquele que desconfia de todos, que acha que sabe quem é, mas não acredita que seja e, no fim, talvez tenha adivinhado, mas nunca esteve seguro disso. 
Também este tipo de leitor, o que me corresponde e que fica efetivamente frustrado, tem sérias dificuldades em manter a tranquilidade durante a leitura. O estado de espírito é de pura ansiedade e, a cada mudança de rumo na história ou de alteração de suspeito, há uma fechadela brusca de livro e uma impropério gritante. Não me interpretem mal, apesar de tudo isto, a necessidade de voltar e de descobrir quem é o/a CANALHA demonstra o lado bom de uma narrativa como esta.

Algo interessante que este autor nos proporciona é o facto de:
- Todos os suspeitos terem um lado mau, seja em personalidade ou em ações de vida - nenhum é santo, nem o morto;
- Todos os Inspetores têm uma falha gigante de personalidade;

Porque é que isto é importante? Epah, porque assim conseguimos perder a cabeça com todos de igual modo, intensificando assim a leitura ao ponto de querer entrar na história e tentar agredir todas as personagens existentes.

Agora que vos falei sobre isto, vou fazer dois ou três exercícios de controlo da respiração para tentar tranquilizar o meu estado de espírito alterado...
Em breve, irei debruçar-me sobre o volume 2 - A Maldição - e preciso de ter o ritmo cardíaco controlado.



10 de maio de 2025

Opinião Literária: A Livraria dos Gatos Pretos, de Piergiorgio Pulixi

 

Boas Maltinha, hoje venho com "ALTA LIVRO"!

Espero que estejam bem, como sempre, e que as vossas leituras tenham sido tão boas quanto as minhas.


Começo por dizer que este ano pus um objetivo diferente e que acho nunca ter posto anteriormente: comprar apenas 10 livros este ano. WHAT?? 

Passo a explicar: não me falta vontade, simplesmente considero que tenho demasiados livros em lista de espera e achei por bem reduzir a lista. 

No início do ano fiz 6 rifas com nomes de Livros que queria mesmo ler este ano - 3 internacionais e 3 nacionais - e já vou na segunda rifa (na primeira saiu o "Apontar é Feio, da Joana Marques; Podem ver a opinião literária aqui no blog).

E não é que ter saído este livro na rifa foi fenomenal?? É eu pude acrescentar mais uma leitura estrondosa aos meus favoritos de sempre.


Como dizem, o assassino está sempre entre nós e é apresentado logo no início. Este livro é excecional, mas não é excepção neste contexto. Vamos lá... 

Qual o motivo que te levaria a matar? Será assim uma pergunta tão descabida? Despois de ler este livro percebemos que não.


Tens de Escolher! Num minuto!

Quem morre e quem vive.

Aponta para quem queres que morra.

Se não escolheres, morrem os dois.


O tempo está a acabar.

Já escolheste?


Dos crimes mais tortuosos que já li e talvez dos mais legitimos também.

Que Final!


Esta é uma leitura envolvente e compulsiva, quer pela história, quer pela divisão do texto em pequenos capítulos. "Só mais um" transforma-se facilmente em mais dez e sem qualquer dificuldade (tirando acordar no dia seguinte) terminamos o livro e ficamos chocados.

30 de março de 2025

Opinião Literária: A Troca, de Beth O'Leary

 
Olá Maltinha, espero que se encontrem bem e "bem mergulhados" em leituras que vos deixem extasiados!


Hoje trago-vos um romance que, além de ser o tipo de leitura da qual estava a precisar, foi o que escolhi como primeira leitura através do novo serviço de empréstimo de livros, em suporte digital, das Bibliotecas Municipais - a BiblioLed.

Como todos nós sabemos, há leituras e leituras e, por vezes, nós precisamos de um certo tipo de leitura. Era o caso. Precisava de algo mais fácil de ler e de entrar na história, que não puxasse muito pela massa cinzenta e lá fui eu, numa nova aventura com a autora Beth O'Leary. Da sua bibliografia, já tinha lido o "Apartamento Partilha-se" e adorei, colocando em lista mental de futuras leituras as outras obras desta autora. Foi agora.


Esta é uma história bonita, bem estruturada e com humor à mistura. Fiquei comovida com ela e, de certa forma, fiquei marcada por ela. Apesar de ser um livro que eu considero de leitura leve, ele tem como mote o luto e esse não é, de todo, um assunto leve. No meu caso, é o assunto mais sensível que pode ser abordado, inclusivamente na literatura.


Quem nunca imaginou a sua vida de outra forma?

E se eu tivesse tomado decisões diferentes?


Neste livro, as protagonistas trocam de vida uma com a outra e, com isso, conseguem explorar e encontrar pedaços de si mesmas que estavam desaparecidos há muito tempo.

Três personagens perderam alguém muito especial e próximo, Carla, que morreu de cancro. Cada uma delas perdeu uma neta, uma filha e uma irmã, e, à sua maneira, não conseguiram aceitar essa morte. É aqui que a mudança e a procura interior se tornaram imprescindíveis, pois só assim elas poderiam prosseguir com as suas vidas.

Esta é uma história de amor, empatia e superação.

E Nunca há histórias a mais sobre estas temáticas.



P.S. Sinto-me grata por existirem mais livros desta autora para devorar ;D

20 de março de 2025

BiblioLed - A Minha Experiência

 

Olá Maltinha, espero que estejam bem e, caso estejam há procura de uma novidade ou de algo para "mudar as vossas vidas" fiquem por aqui que hoje vou falar-vos da milagrosa BIBLIOLED!


Para quem não sabe, a BiblioLed é uma invenção genial que junta uma quantidade enorme de Bibliotecas Municipais Portuguesas numa missão brutal e que vai revolucionar (pela positiva) a leitura em Portugal, pois, todas juntas criaram um portal de empréstimo de livros digitais. SAY WHAT??


Exato! E para poderes usufruir deste serviço público basta estares inscrito numa das Bibliotecas Municipais aderentes e, depois disso, inscreveres-te no portal online. Podes ainda descarregar a APP para o teu telemóvel e ter assim, à mão, um livro que tu querias muito ler e de forma completamente gratuita.

O que mais me encanta neste serviço é que ele, além de proporcionar mais leitura e a todos, ainda desvirtua (ainda mais) a utilização de livros adquiridos de forma ilegal. 


Mas chega de introduções e vamos à utilização do serviço em si. No dia 27 de janeiro, dia do lançamento, fiz logo a minha inscrição (como não tinha o meu número de sócia comigo, liguei para a biblioteca e quem me atendeu foi espetacular e acabamos por fazer, as duas, a inscrição, em simultâneo, pelo telemóvel) e comecei a explorar tudo o que encontrava.

Li as regras, claro, são claras como água: 

  • Tens 21 dias de empréstimo por cada exemplar;
  • Podes requisitar até 3 exemplares;
  • Podes reservar até 3 exemplares.

Nesse primeiro dia, foi fácil encontrar uma leitura (e eu escolhi "A Troca", de Beth O'Leary) porque a maioria dos livros ainda se encontravam "disponíveis". Daí em diante foi-se tornando mais difícil pois o estado dos e-books foram passando de "disponíveis" para "reservados" e é aí que a coisa parece mais assustadora. 

Será que vou conseguir reservar algum livro?, pensei eu. No dia 7 de fevereiro eram poucos os livros que estavam disponíveis para requisitar, então escolhi um livro que queria ler de seguida e selecionei a opção "reservar" e eis que a informação que me apareceu foi "disponibilidade a 1 de maio, encontram-se 11  pessoas em lista de espera à sua frente". SAY WHAT?? (again)

Basicamente eu tinha duas opções: indignar-me com esta situação ou simplesmente aceitar que estava apenas a acontecer exatamente a mesma coisa que acontece quando compro um livro e o enfio na estante. Só há uma diferença, é que a BiblioLed dá o alerta de quando o livro fica disponível para o requisitares. E adivinha? Se não carregares na tecla de "requisitar" ( não me apercebi quanto tempo temos para selecionar) ele passa ao próximo e tu perdes o lugar, é simples. 

Sei disto tudo porque queria ler uma série (#BrunoSaraiva, de Lourenço Seruya) e "reservei" os dois primeiros volumes. O que datava de 1 de maio era o segundo volume e eu achei que teria mais do que tempo, no entanto, estava eu a ler o primeiro volume quando, passados 2 ou 3 dias, o segundo ficou disponível. Ainda pensei requisitá-lo e rezar para ter o tempo necessário para ler os dois, mas depois pensei melhor: eu não iria fazê-lo. Então decidi não fazer nada e ir vendo o que acontecia. Aconteceu que ele fugiu e foi bater a outra APP.


Resumindo, esta nova forma de requisição de livros é maravilhosa!

É prática, é leve e dá-nos a oportunidade de ter sempre um livrinho connosco sem peso acrescido. Para quem já está habituado a ler com a Kobo, por exemplo, já conhecia estas vantagens, com a BiblioLed torna-se ainda melhor por ser gratuito e estar ao alcance de mais pessoas. 

Além disso, os livros requisitados na BiblioLed dão para inserir no kobo (leitor) e realizar a leitura de forma ainda mais cómoda (evitando a exposição prolongada à luz azul utilizada nos telemóveis). Até agora ainda não explorei esta opção, mas devo fazê-lo em breve... vou tentar traze-vos mais informações sobre esta funcionalidade no futuro.


Quem mais já explorou este serviço?


10 de março de 2025

Pagar-me para ler, isto "agora" é assim?


Parece um conceito interessante a que muitos leitores, que partilham as suas experiências e leituras, estão a aderir, com a justificação de benefícios extra para as suas vidas literárias. Tais como:

- Serem recompensados por ler;

- Diminuir as suas TBR (mais conhecida por Terror Bruto nas Robustas estantes) ;

- Comprar mais livros "sem retirar dinheiro do seu orçamento familiar.

Além de todos estes benefícios, ainda podemos incluir regras, não bastaria só guardar uma moedas por cada livro lido. Há este modelo efetivamente, mas há muitos outros. Uma das últimas regras que ouvi é atribuir um valor superior a um livro que esteja na maldita estante há mais de x anos, enquanto que um querido que tenha acabado de vir para casa vale muito menos (em questões de auto pagamento, é claro, até porque hoje em dia os livros estão pelo preço da morte).

Pensei bastante sobre isto, é óbvio. E acrescento que apesar da ponderação, não cheguei a pôr em prática esta modalidade, mas garanto que comigo não iria funcionar.

Primeiro, porque tudo o que envolva um benefício pressupõe uma obrigação e eu não gosto de ver a leitura como obrigação, até porque isso tira a magia associada. 

Em segundo porque acredito verdadeiramente que quem lê e tem o trabalho de postar isso diariamente nas suas redes, leia porque gosta e então receber auto dinheiro por isso não faz sentido. É errado fazê-lo? Epah, não, mas também não traz nada de extraordinário em retorno.

Por fim, considero que estes auto pagamentos fazem mais sentido em atividades que, apesar de nos fazerem bem ou das quais só gostamos q.b., queremos fazê-las e, no meu caso, isso APLICA-SE, por exemplo, ao ginásio. Eu até gosto e, quando lá vou, vibro com aquilo e dedico-me ao meu objetivo, o problema é conseguir arrastar-me para lá. Talvez para outras pessoas o auto pagamento do ginásio faz tanto sentido como para mim o da leitura, mas a verdade é que este incentivo é um acrescento a algo que não fazemos com a fluidez ou com frequencia que queremos ou acreditamos ser necessária.

Acredito assim que, a verdadeira razão para esta prática seja o "bloqueio literário", que se resume na dificuldade de escolher a próxima leitura ou de apreciar qualquer uma que se inicie no entretanto, e que provavelmente atinge 100 em cada 100 leitores, pelo menos uma vez na vida. Eu também já os tive e tenho a dizer que encontro a minha paz na certeza de que não estou sozinha. É normal e na maioria dos casos acontece porque encontrámos uma leitura que nos arrebatou, impedindo-nos de seguir em frente. Mas isto é passageiro, vai voltar o dia em que pegar num livro e lê-lo vai ser natural e vamos apreciá-lo mais, na minha opinião, do que se nos tivessemos auto reembolsado para o ler sem vontade.

Talvez a solução passe por saborear a leitura que, por algum motivo, ainda não nos abandonou e, no entretanto, fazer algo de diferente, algo que realmente nos apetece fazer naquele momento. 


28 de fevereiro de 2025

Opimião Literária: Apontar é Feio, de Joana Marques

 Olá Maltinha, como sempre, espero que estejam bem!

Para hoje, trago-vos um livro de crónicas humuristicas que, em preimeira instancia, declaro ser uma "cópia" dos livros de Ricardo Araújo Pereira. E não digo isto como uma crítica, quando o professor é bom e o aluno está disponível para aprender, digamos que é mais fácil chegar ao produto pretendido. Também há outra coisa em comum, ambos utilizam crónicas já escritas e publicadas em diversos canais e formatos  para que, todas juntas formem um livro.

Com isto em mente, devo dizer ainda que eles têm também diferenças, enquanto o Ricardo se debruça mais sobre política e evita a quase todo o custo o futebol, Joana Marques escarafuncha o pleno dia a dia e discute futebol sem pudor.

O que é que eu achei do livro: estas compilações são sempre uma boa forma de colecionar o trabalho de quem as escreve, sem nos tornarmos acumuladores compulsivos de jornais, revistas e afins. No entanto aquilo que me pesa mais na opinião é o sentido de oportunidade, que neste caso já passou.

Acredito que, quando publicadas, em cima do acontecimento referido, farão muito mais sentido e furor. Aqui, passados tempos e, neste caso, tendo muitas delas que ver com a Covid-19, o tempo já lá vai e tudo o que foram decisões inerentes à mesma também já estão gastas.

Um livro de leitura única, para o qual não encontrei um sentido, sequer cronológico entre entradas e que agora fica parado numa estante.

Mas uma coisa é quase certa, as crónicas onde são mencionadas as lojas de cidadão devem ter sido escritas no mesmo momento que o Ricardo Araújo Pereira as mencionou no Isto é Gozar com quem trabalha e que corresponde ao exato momento em que usufruiu dos seus serviços.

20 de fevereiro de 2025

Opinião Literária: Segredos Obscuros, de Michael Hjorth e Hans Rosenfeldt

 

Olá Maltinha, espero que estejam bem e bem preparados para o ano de 2025, segundo sei, veio com força e para ficar durante 12 meses.

O livro de hoje marca o início de uma série, do psicoterapeuta Sebastian Bergman e que eu adoro com todas as minhas forças. Apesar de nunca o ter trazido as estas linhas (sim, fui confirmar umas quantas vezes) eu já li esta série INTEIRA! Excluindo o 8º volume, que saiu em Portugal, em novembro de 2024. Talvez se perguntem "se gostas assim tanto porque não o leste entretanto?" Vou responder-vos, explicando-vos que quando peguei nele, um dilema apoderou-se de mim: devo ler já o oitavo volume, mesmo tendo a certeza de não recordar metade da história, ou devo voltar ao início da saga e desfrutar dela do principio ao fim? No fundo: aspiro ou degusto? A degustação venceu e assim comecei novamente a história do meu querido e estouvado Sebastian. E a sério, não me julguem pela falta de memória, ela ocorre-me em vários campos da vida e, em minha defesa, o primeiro livro, este mesmo que vos falo hoje, já remonta a minha leitura a 2020.

Começo por dizer-vos que um protagonista como o Sebastian Bergman nunca desilude, até porque aprendemos desde cedo a não esperar nada de bom dele. Tudo o que ele faz tem um propósito egoísta e, apesar de ser muito bom, tenta sempre marcar pontos pela negativa. Fascinam-me protagonistas assim, imperfeitos e com um quê de insuportáveis. 

Adiante! 

Fala a voz de quem leu "um pouco" mais à frente, quando vos diz que numa equipa de Investigadores de topo, com os quais Sebastian acaba por trabalhar, não há nenhum que escape a esta ideologia de perfeita imperfeição e de tão descarados defeitos. É como se para a contratação fosse exigida, no mínimo, a posse de um pecado mortal na sua personalidade.

Além da história, há outra coisa que me fascina, a forma como o livro está organizado - capítulos curtos, evolução da história alternada e, ainda, o conflito dos personagens principais misturado no meio de tudo o resto. Ou seja, os conflitos e evolução dos policias, que serão sempre os mesmos, não estão reservados para o início ou para o fim do livro, a investigação não os põe em stand by, em alguns casos, são eles que alteram o rumo e os tempos da investigação em prol dos seus demónios.

Com isto dito, só me resta continuar esta interessante viagem até ao segundo volume: O Discípulo.


14 de junho de 2024

Vida & Morte



A vida é colorida,
É preenchida e Vibrante

A Vida é ferida

É imprevisível e redundante


A Vida é destemida

É resistente e transformante


É na Vida que encontramos

O consolo,

O amor, 

A alegria

O desafio,

A tristeza,

A revolta


É com a Vida que

Aprendemos, 

Crescemos, 

Evoluímos


A Vida pode assustar-nos, 

Pode até encurralar-nos


Enquanto escolhermos Viver 

Nada nos pode silenciar. 


É apenas com a morte que o vazio se encerra sobre nós. 

13 de junho de 2024








































Querido leitor, 

(tal qual Lady Whistledown) 


Nem sempre é fácil ler. Talvez seja estranho aceitar esta afirmação, mas após uma breve explicação, provavelmente concordará com esta minha afirmação.


Demasiado leve

Demasiado confuso.

Demasiado sangrento.

Demasiado detalhado.

Demasiado sério...


Poderia continuar com estes inquietantes demasiados, mas dá para vermos com os nossos próprios olhos a pilha de livros iniciados e não concluídos (não desistidos) que teimamos em colocar em lista de espera enquanto o mood certo não aparece.


Tenho uma pequena confissão a fazer: não é na leitura que isso acontece! Pelo menos comigo, também acontece na escrita.


Demasiado pesado.

Demasiado intenso.

Demasiado pensado.

Demasiado...


Parecem ambas uma coisa simples de se fazer, apenas é preciso continuar.


A questão é: quanto mais fácil se torna continuar, mais difícil se torna regressar à vida, à Nossa Vida e que, no fundo, é a principal a ser vivida.


...


Inquietações de uma mente cheia e com pouca vontade de ler ou escrever aquilo que seria suposto. 

8 de fevereiro de 2024

Opinião Literária - E se eu morrer amanhã?, de Filipa Fonseca Silva

 



Olá Maltinha,


Hoje podem parar o que estão a fazer para falarmos sobre este livro.


É o primeiro que leio desta autora e estou muito feliz por ter conhecido a sua escrita (em breve irei debruçar-me sobre "O Elevador").

Fartei-me de rir e de aprender com as aventuras da Helena, uma senhora fantástica que nasceu muito antes da época que devia ter vivido, mas ainda assim conseguiu viver antes de morrer.

Um livro que se lê muito bem, que nos elucida para coisas que nem nos passa pela cabeça, provavelmente porque vivemos na mesma bolha que os filhos da Helena (o que é assustador ao mesmo tempo).

Mas... que triste fim! Não vou dizer mais que isto, não vos quero dizer nada para não estragar a surpresa de lerem um livro fantástico, mas se eu já não gostava muito daquilo que provocou o fim da Helena agora ainda gosto menos.

Provavelmente quando vir um, vou lembrar-me da morte literária da minha querida Helena.

Quem mais gostaria de descobrir a história da Helena?

4 de fevereiro de 2024

Opinião Literária - Heartstopper, de Alice Oseman



Boas Maltinha,


Espero que estejam bem!


Hoje venho falar sobre a série Heartstopper, que já li até ao volume 5.
É uma história encantadora sobre vários jovens dos dias de hoje que tentam compreender e viver com a sua identidade de género e orientação sexual, que na sua maioria desafia o que até hoje era considerado normal.

A história tem como protagonistas o Charlie e o Nick, mas todas as outras personagens estão lá por um motivo e para nos mostrarem de forma bastante prática todas as opções que existem. 


É ainda muito difícil viver com as escolhas feitas quando as mesmas não condizem com as maiorias. É também difícil chegar às conclusões daquilo que queremos quando a informação não é disponibilizada e quando todos à nossa volta bloqueiam qualquer conversa, terminando-a com um "não digas baboseiras" ou algo similar.

Estes livros conseguem mostrar e explicar toda uma panóplia de sentimentos, emoções e escolhas que cada um de nós pode viver. É uma coleção transversal, que transmite conhecimento e que pode expandir mentalidades.

E vocês, o que têm a dizer desta coleção?

21 de janeiro de 2024

Opinião Literária - Pão de Açucar, de Afonso Reis Cabral

 

2024 começou com um livro de um autor de Língua Portuguesa, Afonso Reis Cabral.

Começou também com uma história verídica, coisa que é raro eu ler. Desde o momento que uma história é baseada em factos verídicos eu já não a consigo apreciar da mesma forma. São vários os motivos, mas o principal é que eu visualizo tudo o que estou a ler como se estivesse a acontecer em tempo real à minha frente e as emoções começam a sufocar-me. 

Este livro traz de volta um acontecimento de 2006, que ocorreu na cidade Invicta e que chocou a maioria das pessoas. Nessa altura eu era "apenas" uma adolescente de 14 anos e não tinha qualquer interesse em notícias, nem sequer as via. Hoje, depois de ler este livro e de calcular a idade que tinha, chego à conclusão que tenho a mesma faixa etária e que não podia estar em tão distante realidade.

É uma história contada na voz de uma criança de 12 anos e esta criança tem um papel intenso e desorganizado, provavelmente desenvolvido pela ausência dos pais, tendo sido deixada numa instituição chamada Oficina, onde a criação ou educação são menosprezados e insuficientes. 

Considero que o desfecho desta história se deve à falta desse acompanhamento e consequente ausência de amor paternal e uma decisão estúpida de um miúdo que queria mostrar-se como alguém forte e superior.

Também a vida da Gi foi retratada e dá para entender que foi uma vida sofrida, sem quaisquer facilidades. Jamais eu conseguiria encontrar felicidade naquilo que ela considerou vida.

Ambas as personagens sentiam falta de atenção, eram submissos e tinham uma necessidade de afirmação.


Gostar deste livro não me soa bem. Não gosto da história pelo que ela retrata, não há como gostar, choca-me ainda mais que seja escrito pela "mão da criança" e isso é demonstrado na qualidade da escrita, que torna visível a criança por detrás das páginas.

Mas não posso deixar de o considerar um bom livro. É visual, sem ultrapassar todas as sensibilidades. Diz muito sem ter tudo detalhado.


É doloroso.

É real e, ao mesmo tempo, assustador.


Mais alguém que tenha lido este livro? Deixem nos comentários a vossa opinião.

14 de janeiro de 2024

Opinião Literária - A Louca da Casa, de Rosa Montero



Olá Maltinha, espero que estejam bem e que 2024 vos tenha proporcionado uns bons primeiros dias e que se prolonguem até 31 de dezembro...

Hoje trago-vos o último livro que li no ano passado e foi uma das melhores maneiras de acabar em grande, com mais um livro no coração.

Sabem há quanto tempo eu tinha este livro na minha estante? Desde agosto de 2021 e já o tinha destinado inconscientemente aos livros que provavelmente nunca iria ler.


Quase perdia um dos "aquele livro". 


Desde que comecei a escrever que tenho aumentado o meu conhecimento sobre esta arte maravilhosa e tenho-me deparado com histórias fenomenais sobre outros escritores.

E este livro enquadra-se nesta faceta, ele é sobre escrita e sobre o oficio da escrita contado na primeira pessoa, o que acaba por fazer dele também uma autobiografia.

Tanta coisa inexplicavelmente em comum que partilho com a Rosa e não fazia ideia. Realmente existe uma louca na casa e essa louca, não só dá cabo da minha cabeça, como também da cabeça da Rosa.

Este livro não deixa de ser o que é: um excelente livro, mas, ao mesmo tempo, sinto que foi uma conversa, onde a autora me confidenciou tanto sobre si como numa conversa entre velhas amigas que partilham os mesmos gostos.

Acabo a dizer que adorei esta conversa e que espero continuá-la em breve.


Até breve e boas leituras!

17 de setembro de 2023

Opinião Literária - A Rapariga da Cabana, de Romy Hausmann



Boas Maltinha,


Há capas que nos chamam à atenção e esta foi uma delas. Aquela casinha de paus um tanto sinistra, um tanto apelativa chamou-me logo na primeira vez que a vi. 

O que há de fazer o leitor quando um livro o chama assim?

Aquilo que sabe fazer melhor: vai pegar nele e vai lê-lo. De preferência com mais amigos literários. Foi o que eu fiz! 


Não só lemos o livro, como decidimos ainda ver a mini série que estreou na Netflix este mês.


Desde o inicio do livro que fiquei vidrada na personagem Hannah. Uma criança, no mínimo, intrigante. Ficamos a pensar: o que raio vem dali? É uma personagem que nos deixa na dúvida, sobre o seu envolvimento, o tempo todo.

Tudo neste livro é perturbador. Não há uma personagem saudável ou um acontecimento regular. 

Ainda me pergunto como é que a autora conseguiu criar esta atmosfera. Como é que conseguiu imaginar uma coisa tão hedionda e ainda por cima transformá-la (para as personagens) numa coisa banal como uma família feliz numa cabana.

Adorei o livro e adorei a série.


Falando agora um pouco sobre a produção televisiva. 

Fiquei um pouco confusa pois alguns dos personagens não são os mesmos do livro, apesar de terem o mesmo nome, não têm o mesmo género. Em alguns casos, as suas batalhas individuais não são as mesmas e os motivos também estão alterados.

Eu sei, eu sei, uma série é apenas "baseada" no livro. Ainda assim, no meu ponto de vista, a história e os pontos principais devem ser os mesmos. 

Neste caso, com nomes diferentes, podiam ser duas histórias distintas.

No entanto, isso não invalidou a minha satisfação de visionamento.


E vocês, o que têm a dizer sobre A Rapariga da Cabana?


Beijos


2 de setembro de 2023

Opinião Literária - Novas Crónica da Boca do Inferno, de Ricardo Araújo Pereira

 

Olá, Maltinha, 

Espero que se encontrem bem e preparados para mais uma opinião =)

Desta vez trago-vos aquilo a que chamo uma "Leitura a Caracol", uma leitura que me acompanha, pelo menos, durante um ano. Não porque não goste dela, mas porque gosto de a fazer render. 

Os livros do Ricardo são ótimos para esta brincadeira, as suas Crónicas são agradáveis facadas na nossa vida que nos relembram o quão miseráveis somos, tanto para o nosso País como para o Mundo em geral. 

O escrutínio pela morte tem destas coisas, dá-nos a certeza de que não somos ninguém e que, quando morrermos, o mundo vai continuar a existir. Sem qualquer problema, remorso ou saudade.


Entre o dia em que nascemos e morremos resta-nos uma coisa: viver, ou no caso da grande classe trabalhadora daquela altura (2008) e desta altura (2023) sobreviver. 

Este livro mostra-nos que, apesar do tempo que passou, ainda não aprendemos, voltámos a repetir os mesmos erros. As únicas coisas que mudaram foram: o nome da Pandemia e o nome dos Intrujas.


Outra coisa que não mudou foi o fanatismo por remodelações em tempos difíceis, se na altura o Ricardo sentiu necessidade de escrever uma Crónica sobre os móveis IKEA, neste período de pandemia, abundámos em vídeos sobre como fazer o quê para melhorar a casa e mantermo-nos ocupados.



27 de dezembro de 2022

Sem Ti Não Voltaria a Viver

 


Olá Maltinha!

Espero que estejam bem e que a primeira parte das festividades tenham sido fantásticas.

O meu Natal deste ano fica mais do que marcado com esta boa nova: O meu primeiro livro foi publicado.

Gostava de poder dizer-vos o quão feliz eu estou, mas nem eu consigo quantificar ou expressar tal alegria. É uma emoção estrondosa ter nas minhas mãos aquele que foi o meu trabalho durante cinco anos e vê-lo a passar de folhas riscadas e puídas a um belo exemplar.

Partilho convosco esta minha alegria e espero que encontrem nas suas páginas aquilo que eu, enquanto leitora, gosto de encontrar nos meus autores favoritos.

Deixo-vos em seguida a sinopse com a esperança de vos aliciar a entrar neste pequeno mundo criado por mim

Sinopse do Livro

Rute, uma mulher que teve de fugir da sua vida, deixando para trás um passado abusivo, tenta ao máximo reestruturar o futuro.
Só quando encontra um animal abandonado e decide acolhê-lo e amá-lo é que percebe que, a partir desse momento, é que terá o tão esperado ponto de viragem. Quando finalmente consegue estabilizar a sua vida emocional, o passado entra de rompante e leva-a a uma cama de hospital.
Nuno tem um segredo há muito guardado. Apesar de influenciar a sua vida, nunca aceitou a chantagem para o fazer desaparecer. Quando confrontado com a possibilidade de amar Rute, ele tenta livrar-se dessa sombra sem que ela se aperceba.
Só existe um problema. Não só ela fica a saber, como conhece parte do seu segredo.


Até Breve

7 de outubro de 2022

Será loucura?

 


Estranha é a forma como a Escrita chama por mim. 


Passam-se dias que não escrevo, principalmente porque o "pouco tempo" que tenho pode ser empregue em algo melhor do que escrever merd@s sem significado ou sem qualidade. Até o simples facto de fazer zapping na TV é uma melhor aposta do que deitar por palavras o que possivelmente seria uma boa ideia.


Outras vezes, simplesmente sinto que não tenho nada a escrever e aí sim, está tudo bem.



Depois existem momentos como este em que queria estar tranquilamente a ler e tenho esta inquietação no fundo do meu ser e na ponta dos meus dedos que não me deixa sossegar.

E não é como se eu pudesse escrever o que quero, ou seja, contornar esta vontade e escrever um resumo de leitura ou mais um capítulo do livro em que estou a trabalhar. 

Não...!

É esta vontade de esticar a linha do novelo que é o pensamento, alinhá-lo com a tinta azul sobre o papel, numa corrida contra o tempo.

Nada disto faz sentido, por vezes sinto que a loucura me espera no último ponto final, mas quando lá chego sinto apenas o poder da concretização.


Eu bem te disse que tinhas de ir buscar o raio da caneta, digo.

Ainda bem que fui, respondo.

8 de setembro de 2022

Opinião Literária: O Curador, de M. W. Craven


Boas maltinha,

Para hoje o terceiro livro da série Washigton Poe.

Confesso que depois de ler toda a série do Sebastian Bergman - até ao volume 7 - não estava à espera de me apaixonar por outra equipa de investigação. Ou, pelo menos, não tão cedo.


As aventuras do Poe e da Tilly são fantásticas e a equipa que formam, apesar das diferenças entre si, é excecional. A relação entre eles é tão forte que eles conseguem depositar total confiança um no outro e superar os seus medos mais profundos.



Neste livro encontramos mais um crime dificílimo de resolver onde mais uma uma vez nos deparamos que há pequenos detalhes que fazem toda a diferença.
E ainda, quando achamos que tudo está encaminhado e que só falta encontrar o criminoso... bem, há coisas que acontecem!

Já vi que existem mais dois para ler, agora é só aguardar a bela da tradução para português e mergulhar novamente neste fantástico mundo.

"Infelizmente, há segredos que não admitem ser revelados."
E com esta me despeço, com as próprias palavras do autor.

19 de agosto de 2022

Opinião Literária: Durante a Queda Aprendi a Voar, de Raul Minh'Alma


Boas maltinha,

Mais um livro concluído e devo dizer que senti um misto de emoções. 

Em primeiro lugar devo dizer que este é o segundo livro que leio do autor,  embora tenha gostado mais do primeiro (Foi sem querer que te quis), este também me marcou. 

Notei que,  apesar da escrita permanecer semelhante em ambos os livros,  eu a senti de maneira diferente. Confesso que houve alguns pontos que não me deixaram tão satisfeita como outrora. No entanto,  isso não fez com que eu deixasse de apreciar a história.

Já sabem que eu não levanto o véu ao conteúdo da história, não conto pormenores sobre o que pode estar escondido nas páginas dos livros que leio, mas... Eu fiquei perplexa com a situação da Teresa e ainda, com o que aconteceu no farol - quando visitar um novamente vou recordar-me com toda a certeza do que aconteceu neste livro.

Um livro que nos ensina a amar e a aceitar,  que nos ensina a cuidar e a encaminhar. 

Todos neste livro precisavam (ou precisam) de ajuda e apenas alguns tinham consciência de que precisavam dela. É aqui que a introspeção faz toda a diferença e nos mostra o grau de importância que tem. 

Há muito a aprender e eu fico grata por ter aprendido mais um bocadinho. 

Quem mais já leu este livro,  ou outro que seja deste autor português? 

Beijos